Friday, 29 October 2010

Agora o PSD é capaz de derrubar o Socrates

Sondagem: PS cai para mínimos históricos

Intenções de voto por partido:
PS = 26%
PSD = 40%
CDS/PP = 7%
BE = 12%
CDU =8%

Portanto agora o Passos Coelho, pode propor uma moção de censura ao Sócrates. Provavelmente o que irá acontecer é que o PSD vai esperar pela reeleição de Cavaco Silva, que há-de ser lá para meio do ano. Por isso em 2012 havemos de ter novo governo, coisa que aconteceria de qualquer modo...


Monday, 25 October 2010

Batista Bastos, o bom velho do Restelo

Que Portugal é este? pergunta ele. É um texto interessante e contraditório, como o país cujos governantes o autor critica. Talvez seja essa a resposta à pergunta do autor. Este é o seu Portugal Batista: charmoso, romantico e saudosamente apreensivo quanto ao futuro.

Cesão, "O Esquartejador"

Não pude resistir... (refiro-me ao título)
Falando a sério, há momentos em que tenho vontade berrar quando o César das Neves abre a boca. No entanto esses momentos envolvem referências à Virgem. A verdade é que o Professor fala muito bem quando fala sobre economia, que era aquilo a que a imprensa se devia de limitar a perguntar-lhe. Por isso deixo aqui o link para a recente contribuição dele em relação aos nossos problemas orçamentais.
Há pouco a acrescentar ao que ele diz. Talvez a única contribuição que eu posso fazer é explicar o básico do porquê do governo não ter chamado o FMI, ou mais propriamente do porquê que ninguém gosta de chamar o FMI.
Quando os políticos estam em campanha, a principal mensagem deles é que possuem a capacidade, os "skills" para governar. Não só isso, mas como vivemos em democracia, eles têm de nos convencer que são melhores do que os fulanos no partido ao lado. Chamar o FMI, ou a UE, ou quem quer que seja é obviamente uma admissão de que tal não é verdade. É difícil fazer campanha quando se é o político que teve de pedir ajuda. Não mostra muita liderança. Principalmente depois de ter estado no governo durante 6 anos. É no entanto bastante mais fácil ser o recém eleito líder que descobre que o governo anterior tem andado a mentir, e que portanto tem de pedir ajuda. A culpa não é dele, e quando disse que era capaz de governar o país, referia-se a outro país. Daí que o PS português não pode exactamente fazer como o PASOK dos Gregos.

Sunday, 10 October 2010

Porque é que o PSD não manda o governo abaixo?

Normalmente escrevo que me farto. No entanto, a resposta a esta pergunta é relativamente fácil:
- Falta de apoio político por parte de uma maioria do eleitorado português(PS=31,7%, PSD=30,8, CDS=10,2%; BE= 8,6% e CDU=7,6%), e
- Um calendário de emissões de obrigações da dívida pública demasiado frequentes e logo bastante proibitivo.

Wednesday, 22 September 2010

Confusões financeiras...

Portugal quis vender Mil Milhões de Euros de dívida hoje. Em vez disso só vendeu 750 Milhões. O que diz a imprensa? 2 Coisas diametralmente opostas:

1º: O FT comenta que Portugal está numa situção muito má. As seguintes citações ilustram bastante bem o tom do artigo:

"

Gary Jenkins, head of fixed income research at Evolution, said: “Demand for Portugal has been waning in recent days because of worries over the economy. But at very high yields investors are willing to buy the debt.”

Richard Batty, investment director of strategy at Standard Life Investments, said: “This is a sign of the problems for Portugal. It cannot keep paying higher and higher yields.”

The bond markets of Portugal and Ireland, considered the two weakest economies after Greece in the eurozone, have been under pressure in recent days as yields have hit highs because of worries that one of the countries may be forced to use bail-out loans similar to Athens."

2º: O Jornal de Negócios no entanto refere que a coisa está bastante melhor e que o resultado da emissão foi bastante boa, causande uma aceleração da queda dos juros da dívida pública portuguesa. De acordo com este artigo, "as “yields” das obrigações do tesouro portuguesas estão a acentuar a queda que registam desde a manhã, depois de a generalidade dos economistas ter efectuado comentários positivos aos resultados da emissão que o Instituto de gestão do Crédito Público efectuou."

"O juro das OT a 10 anos recua 18 pontos base para 6,121%, apresentando agora um diferencial face às “bunds” alemãs de 375 pontos base. Esta manhã, antes da emissão, os juros da dívida a 10 anos chegaram a atingir 6,343%, com os investidores a aguardarem com cautela os resultados do leilão."

"Economistas ouvidos pelas agências internacionais adiantam que os resultados foram positivos devido à elevada procura (quase cinco vezes superior à oferta na emissão a 10 anos), indicando que o facto de Portugal colocar apenas o montante mínimo mostra que o IGCP optou por dar um sinal aos investidores que não está disposto a pagar taxas muito altas."

Por fim este último artigo também cita o mesmo Gary Jenkins, refering que:


A procura de [dívida de] Portugal tem enfraquecido nos últimos dias, devido às preocupações relativamente à economia”, disse o responsável pelo departamento de análise do Evolution, Gary Jenkins ao Financial Times. “Mas a taxas de juro muito elevadas, os investidores estão dispostos a comprar a dívida”, acrescentou.

"

Não pretendo dizer que o Jornal de Negócios ou que o FT estão errados. No entantto, o certo é que ambos não podem estar correctos. É axiomaticamente impossível que as yields tenham subido e descido ao mesmo tempo. Podem ter subido e depois descido ou vice versa, mas não ambas ao mesmo tempo. Portanto ou um destes jornais está a fazer um mau serviço ou um deles entusiasmou-se e publicou o artigo mesmo antes do mercado ter mudado de direcção.

A chatice de lidar com os valores da dívida pública é que não se tem acesso ao valores tão facilmente como se tem em relação aos mercados de acções. Como não tenho nem acesso ao Thomson Reuters Datastream nem ao Bloomberg, fico-me por aqui, intrigado pela confusão gerada